Provavelmente você já ouviu falar sobre o “climatério”, mas a verdade é que poucas mulheres sabem o que acontece fisiologicamente dentro do seu corpo e ainda, como lidar com isso no dia a dia. Nesse conteúdo vamos te explicar o que é o climatério, a causa e as melhores estratégias para você colocar em prática hoje mesmo.
Climatério: O que é?
O climatério é o nome dado ao longo período de transição fisiológica que marca a passagem da fase reprodutiva para a não reprodutiva na vida da mulher. Trata-se de um processo biológico contínuo que pode durar mais de uma década, iniciando-se geralmente por volta dos 40 anos e estendendo-se até os 65 anos, de acordo com o Ministério da Saúde.
Qual a causa central do climatério?
A causa central do climatério é o esgotamento progressivo dos folículos ovarianos. Como os ovários deixam de liberar óvulos regularmente, a produção de hormônios sexuais, especialmente o estrogênio e a progesterona, entra em declínio.
Essa flutuação e posterior queda hormonal provocam uma série de transformações em praticamente todos os sistemas do corpo feminino, já que o estrogênio possui receptores em órgãos que vão do cérebro aos ossos.
As fases do climatério
O climatério é dividido em três fases principais. A primeira é a perimenopausa, onde os ciclos menstruais começam a ficar irregulares e os primeiros sintomas físicos e emocionais aparecem. A segunda é a menopausa propriamente dita, que é o marco clínico da última menstruação, confirmada após a mulher passar 12 meses consecutivos sem sangramento.
Por fim, há a pós-menopausa, período que compreende os anos seguintes à interrupção definitiva do ciclo, onde os riscos para condições como osteoporose e doenças cardiovasculares aumentam devido à carência hormonal prolongada.
Entenda os principais sintomas do climatério
Os sintomas mais conhecidos são as ondas de calor, acompanhadas de transpiração, tonturas e palpitações; suores noturnos prejudicando o sono; depressão ou irritabilidade; alterações nos órgãos sexuais, como coceira, secura da mucosa vaginal; distúrbios menstruais; diminuição da libido; desconforto durante as relações sexuais; diminuição do tamanho das mamas e perda da firmeza; diminuição da elasticidade da pele, principalmente da face e pescoço; aumento da gordura circulante no sangue; aumento da porosidade dos ossos tornando-os mais frágeis.
É importante lembrar que cada mulher é única e tem sintomas diferentes, por isso o acompanhamento médico regular é indispensável. Ele ajuda a monitorar os níveis hormonais, realizar exames preventivos e decidir a melhor estratégia para atravessar essa transição com saúde e vigor.
Porque o exercício físico é tão importante nessa fase?
A prática de exercício físico durante o climatério deixa de ser uma opção de estilo de vida e passa a ser uma necessidade terapêutica, pois atua diretamente na redução dos riscos gerados pela queda hormonal.
O declínio do estrogênio provoca uma perda acelerada da massa óssea e muscular, tornando a mulher mais vulnerável à osteoporose e à sarcopenia. Nesse cenário, o treinamento de força, como a musculação, torna-se o protagonista, pois o estresse mecânico nos ossos estimula a produção de novas células ósseas, enquanto a preservação dos músculos sustenta o metabolismo basal, evitando o ganho de peso excessivo e a fadiga crônica.
Além disso, o exercício físico tem efeitos positivos para a saúde cardiovascular, ajudando a controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol, que tendem a se desequilibrar nesta fase.
Entenda como os suplementos podem ser aliados
A utilização estratégica de ômega 3, magnésio e melatonina no climatério forma um tripé de suporte focado na proteção cardiovascular, no equilíbrio do sistema nervoso e na restauração do sono, áreas profundamente afetadas pela queda hormonal.
O ômega 3 pode atuar como um agente anti-inflamatório, essencial para apoiar na proteção do coração e do cérebro em um período em que o risco de doenças cardiovasculares e declínio cognitivo aumenta devido à falta de estrogênio. Além de auxiliar no controle dos níveis de colesterol, ele ajuda a estabilizar o humor e pode reduzir a intensidade das ondas de calor.
O magnésio desempenha um papel no relaxamento muscular e na modulação do estresse. No climatério, ele é fundamental para aliviar a irritabilidade e a ansiedade, além de ser um cofator importante na fixação do cálcio nos ossos, prevenindo a osteoporose.
Quando associado à melatonina, o magnésio potencializa a qualidade do descanso noturno. A melatonina, por sua vez, atua na regulação do ciclo circadiano para combater a insônia típica desta fase.
Além disso, o feno grego pode ser um aliado estratégico durante o climatério e menopausa, isso porque essa semente, conhecida cientificamente como Trigonella foenum-graecum, pode ser encontrada de forma segura e padronizada em suplementos e age equilibrando hormônios de forma “natural”, reduzindo as ondas de calor, aumentando a libido e minimizando sintomas comuns dessa fase.
A alimentação como modulação hormonal
Nesta fase, a dieta deixa de ser sobre calorias e passa a ser sobre modulação hormonal. O objetivo é reduzir a inflamação e manter o metabolismo ativo.
- Proteínas: Essenciais para combater a sarcopenia (perda de músculo). Aposte em ovos, peixes (ricos em Ômega-3), frango, iogurte natural e leguminosas como o grão-de-bico.
- Carboidratos: Troque farinhas brancas e açúcar por raízes (batata-doce, inhame) e grãos integrais (aveia, quinoa), que evitam picos de insulina.
- Gorduras e Fitoestrogênios: O azeite de oliva, o abacate e as sementes (especialmente a linhaça) ajudam a equilibrar os hormônios e reduzir os fogachos.
- Vegetais Verde Escuros: Brócolis, couve e espinafre são fontes cruciais de cálcio e magnésio para a proteção dos ossos.
Atravessar o climatério com qualidade de vida exige uma abordagem multidisciplinar que combine a compreensão biológica da fase, ajustes alimentares estratégicos e a prática rigorosa de exercícios físicos, especialmente os de força.
A suplementação com ômega 3, magnésio e melatonina, surge como um suporte valioso para proteger o coração, estabilizar o humor e restaurar o sono, mitigando os efeitos da queda hormonal no sistema nervoso e metabólico.
Quando a mulher prioriza o cuidado com a saúde muscular e o equilíbrio inflamatório, essa transição deixa de ser um período de perdas e se torna uma etapa de amadurecimento saudável, garantindo longevidade, autonomia e bem-estar físico e mental para os anos seguintes.
Referências
ALDRIGHI, José Mendes; ALDRIGHI, Cláudia Maria S.; ALDRIGHI, Ana Paula Santos. Alterações sistêmicas no climatério. RBM rev. bras. med, p. 15-21, 2002.
DE LORENZI, Dino Roberto Soares; BARACAT, Edmund Chada. Climatério e qualidade de vida. Femina, p. 899-903, 2005.
DE FREITAS, Kerma Márcia; DE VASCONCELOS SILVA, Ângela Regina; DA SILVA, Raimunda Magalhães. Mulheres vivenciando o climatério. Acta Scientiarum. Health Sciences, v. 26, n. 1, p. 121, 2004.
VALENÇA, Cecília Nogueira; NASCIMENTO FILHO, José Medeiros do; GERMANO, Raimunda Medeiros. Mulher no climatério: reflexões sobre desejo sexual, beleza e feminilidade. Saúde e Sociedade, v. 19, p. 273-285, 2010.
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