Lipedema: o que é e como o cuidado pode auxiliar no bem-estar

O lipedema tem ganhado cada vez mais destaque nas buscas online — e não por acaso. Trata-se de uma doença frequentemente subdiagnosticada, que afeta milhões de mulheres e tem impacto direto na qualidade de vida. Embora muitas pessoas confundam seus sinais com obesidade, retenção de líquidos ou “inchaço comum”, o lipedema é uma condição distinta, inflamatória e progressiva, que exige atenção especializada. 

Se você percebe acúmulo desproporcional de gordura nas pernas ou braços, sente dores ao toque, sofre com hematomas frequentes ou nota um inchaço que não melhora com dietas tradicionais, entender o que é o lipedema pode ser o primeiro passo para um diagnóstico correto e um tratamento mais eficaz. 

Neste conteúdo, apresentamos os principais fatores que envolvem o Lipedema e como a nutrição e os exercícios físicos podem ajudar nessa condição. Confira. 

O que é lipedema? 


O Lipedema é uma doença vascular crônica caracterizada pelo acúmulo anormal e desproporcional de gordura, principalmente nas pernas e braços. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2019 o Lipedema já afetava 12,3% das mulheres no Brasil, sendo predominante no sexo feminino. 
 

Quais são os principais sintomas do lipedema?

O Lipedema aparece tanto de forma visual quanto em sintomas evidentes. Os sinais de alerta manifestam-se de forma muito característica. Entenda quais são eles:

Inchaço persistente nos membros inferiores 


A pessoa sente um inchaço que não é apenas visual, ele vem acompanhado de uma constante sensação de peso e fadiga nas pernas, que tende a piorar ao final do dia. 
 

Fragilidade capilar  


Outro indicativo importante é a fragilidade capilar — ocorre quando os menores vasos sanguíneos do corpo, também chamados de capilares, se tornam excessivamente finos ou porosos, rompendo-se com extrema facilidade — que resulta no surgimento frequente de hematomas (roxos) sem que tenha havido qualquer trauma ou batida.
 

Ao realizar o toque, é comum notar a presença de nódulos subcutâneos, que muitas pacientes descrevem como a sensação de ter um “saco de bolinhas de gude” sob a pele. Além da textura irregular, a região afetada apresenta uma hipersensibilidade dolorosa, onde mesmo uma pressão leve pode causar desconforto intenso.  

Visualmente, o lipedema se destaca pela desproporção corporal nítida: o acúmulo de gordura concentra-se especificamente nas pernas, quadris ou braços, enquanto o tronco, a cintura e o rosto permanecem visivelmente mais finos. 

Quais são as causas do lipedema? 

A origem do Lipedema é multifatorial, combinando uma predisposição hereditária com estímulos hormonais específicos. Abaixo, explicamos detalhadamente o papel de cada um desses gatilhos na ativação da doença.

Predisposição genética

o lipedema possui uma forte base genética e hereditária, podendo ser transmitido entre gerações. Muitas vezes, a pessoa carrega a predisposição genética de forma “escondida”, sem apresentar sintomas visíveis até que a doença seja “despertada”.
Esse gatilho geralmente ocorre durante períodos de grandes oscilações hormonais, como a puberdade, a gestação ou a menopausa, fases em que o estrogênio atua diretamente na ativação e na inflamação das células de gordura.

Alterações hormonais (puberdade, gestação, menopausa)

As alterações hormonais funcionam como um gatilho biológico para o Lipedema. O estrogênio é o principal protagonista: ele estimula a proliferação das células de gordura e contribui para o aumento da permeabilidade dos vasos, facilitando o inchaço.

Na puberdade, o aumento hormonal “desperta” a doença em quem tem genética favorável. Durante a gestação, as oscilações intensas e a retenção de líquidos podem acelerar o acúmulo de gordura e a dor. Já na menopausa, a desregulação entre estrogênio e progesterona frequentemente torna a gordura mais endurecida (fibrótica) e o tecido mais inflamado.

Em todas essas fases, o hormônio não cria a doença sozinho, mas atua como a chave que ativa a inflamação e a deposição desproporcional de gordura nos membros.

Fatores inflamatórios associados ao tecido adiposo alterado

O Lipedema transforma o tecido gorduroso em um ambiente de inflamação constante, onde as células de gordura crescem tanto que acabam “sufocadas” pela falta de oxigênio.

Esse estresse celular faz com que o corpo libere substâncias de alerta que deixam a região dolorida e sensível ao toque. Com o tempo, essa inflamação cria pequenas cicatrizes internas, chamadas de fibrose, que dão à gordura aquela textura nodular e endurecida.

Além disso, o processo inflamatório enfraquece os pequenos vasos sanguíneos, permitindo que líquidos escapem para o tecido — o que causa o inchaço — facilitando o surgimento de hematomas roxos sem causa aparente.

Diferença entre lipedema e obesidade sob o olhar da nutrição 

Enquanto a obesidade é um acúmulo generalizado de gordura metabólica, o lipedema é considerado uma condição inflamatória do tecido adiposo e possui localização específica.  

A diferença no tratamento também ocorre, pois no caso do Lipedema o foco não é o emagrecimento e sim o controle da inflamação e da retenção de líquidos. Nesse caso, uma alimentação equilibrada pode contribuir significativamente para o cuidado.  

Como uma rotina de cuidado  pode ajudar a minimizar o lipedema? 

A importância da alimentação adequada 


Um padrão alimentar equilibrado e anti-inflamatório pode contribuir para o tratamento e para a manutenção da inflamação causada pelo Lipedema. Entre alguns dos principais alimentos que podem auxiliar em uma rotina de cuidado estão:
 

  • Peixes gordurosos: fontes de ômega‑3, como salmão, sardinha e cavala 
  • Frutas e vegetais: ricos em antioxidantes, como brócolis, espinafre e couve 
  • Temperos com propriedades anti-inflamatórias, como cúrcuma, gengibre e alho 
  • Oleaginosas, sementes e grãos integrais 

Além disso, recomenda-se limitar o consumo de alimentos ultraprocessados, como frituras, álcool em excesso e óleos vegetais refinados, pois esses itens podem favorecer processos inflamatórios no organismo e contribuir para os sintomas. 

O poder dos exercícios físicos para quem tem lipedema 


O exercício físico de baixo impacto é um forte aliado ao tratamento. Atividades como natação, hidroginástica, yoga e caminhada ajudam na circulação sem sobrecarregar as articulações e assim não pioram o inchaço causado pelo Lipedema. 
 

As atividades também ajudam a ativar a circulação sem inflamar: 

  • Exercícios aquáticos são ideais, pois a pressão da água drena o inchaço naturalmente.  
  • A musculação deve focar na panturrilha para bombear a linfa (fluido transparente ou esbranquiçado que circula pelo sistema linfático). 
  • Já as práticas de baixo impacto protegem as articulações e evitam dores. 

O objetivo é usar o músculo para melhorar a circulação linfática e venosa, reduzir o acúmulo de fluidos e modular processos inflamatórios associados ao Lipedema.  

Os nutrientes estratégicos como aliados do processo  


Alguns suplementos podem atuar como apoio complementar dentro da rotina de cuidado, oferecendo nutrientes que dialogam com processos importantes do organismo. Ainda que não substituam cuidados essenciais, podem contribuir como parte de uma estratégia de manejo. A seguir, veja como cada um deles se relaciona com essas vias biológicas no contexto do Lipedema.
 

  • Ômega 3: é um nutriente essencial que, em determinadas concentrações, pode contribuir para o cuidado cardiovascular ao auxiliar no controle dos triglicerídeos, sendo constantemente alvo de estudos que exploram seu papel em diferentes processos biológicos. Ele também é associado ao suporte às funções cognitivas, integrando vias relacionadas à proteção e organização das respostas do sistema nervoso. Além disso, seus componentes, como o EPA, dialogam com processos que participam das respostas anti-inflamatórias do organismo. 
  • Coenzima Q10: participa de rotas celulares ligadas à geração e ao fluxo de energia nas mitocôndrias, especialmente em tecidos que operam sob maior demanda metabólica, como o coração — área em que é amplamente estudada por seu papel nessas vias. Além disso, está presente em processos associados ao equilíbrio celular diante de desafios cotidianos, contribuindo de forma indireta para a manutenção da integridade das estruturas expostas a radicais livres. 
  • Cúrcuma: tradicional em diversas culturas, reúne compostos naturais que se conectam a vias relacionadas ao equilíbrio celular e ao conforto dos tecidos, especialmente em aspectos ligados à mobilidade articular. Como fonte natural de antioxidantes — com destaque para os curcuminoides — é alvo de inúmeros estudos que exploram suas propriedades nutricionais e sua interação com processos biológicos relevantes. 
  • Vitamina D: reconhecida por sua participação em processos que envolvem a utilização de cálcio e fósforo pelo organismo, contribuindo para a integridade das estruturas ósseas e dentárias. Também se conecta a mecanismos que influenciam as respostas de defesa e ao funcionamento de tecidos relacionados ao movimento, dialogando com rotas essenciais para a manutenção do corpo ativo. 
  • Vitamina C: reconhecida por participar de mecanismos envolvidos nas defesas naturais do organismo e em processos que contribuem para o equilíbrio celular. Também desempenha um papel importante nas rotas responsáveis pela formação de colágeno, elemento presente em estruturas como pele, cartilagens e vasos. Além disso, apoia a utilização adequada do ferro de origem vegetal pelo corpo, favorecendo a integridade das funções nutricionais do dia a dia. 

Conclusão 

Cuidar da alimentação, manter atividades físicas de baixo impacto e aliar isso à suplementação é essencial para quem possui lipedema. Bons hábitos auxiliam no bem-estar para que você viver melhor e com qualidade de vida.  

Referências Bibliográficas 

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